Treissi Amorim logo
News

Introdução alimentar: Tudo que você precisa saber para começar o processo

De todos os assuntos que a gente recebe pedidos para escrever, os mais comuns são os relacionados ao feminino e à maternidade. É importante que a gente se entenda e se conheça e, aqui no site, gostamos de tratar todos os assuntos  - inclusive os mais polêmicos – com uma dose de afeto.

Sem julgamentos! Aqui o que a gente mais quer é que você, leitora, seja você mesma. Assim, diante da lista de assuntos para abordarmos, chegou a hora de vermos junto o seu bebê crescer e começar a cortar a alimentação que você mesma produz.

Chegou a hora de ir diminuindo as mamadas e começar a entendê-lo como um ser humano em desenvolvimento – e que, a gente sabe, pode ser um processo difícil não somente pela dificuldade em querer alimentá-lo da melhor forma possível, mas porque é um símbolo muito forte de corte entre o seio e a boca do seu filho.

Em meio a tantas pesquisas, a gente chegou à Rita Lobo, esta apresentadora e chef, que tem o canal no YouTube, programa de culinária em rede de televisão paga e um montão de livros publicados – sendo um dos mais recentes, o “Comida de Bebê”.

Em parceria com o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Faculdade de Saúde Pública da USP, este projeto ganhou fama por tratar do tema da introdução alimentar de um jeito bem despojado e fácil: o bebê come a mesma comida que você.

Ou seja, segundo a equipe multidisciplinar, liderada pelo professor Dr. Carlos Augusto Monteiro, que, diga-se de passagem, é referência internacional quanto à sua pesquisa sobre a alimentação dos brasileiros, o bebê deve comer, afinal de contas, comida de verdade.

Eles explicam que o termo “papinha” é só a textura, ou seja, tudo bem amassadinho, para que não haja o risco de engasgue, mas o cardápio é o mesmo que o da família toda, com alguns detalhes.

Além da textura da comida ser papinha, uma dica fundamental é não misturar um montão de alimentos e fazer uma papinha única, tudo junto e misturado. Segundo os especialistas do projeto, o bebê está formando o paladar e é interessante que a gente ofereça um “pê-efinho”, como eles mesmos intitularam a refeição. Ou seja, ofereça o prato para o bebê como você come: feijão é feijão, arroz é arroz, cenoura é cenoura. Não precisa bater tudo no liquidificador.

O bebê, assim, vai conhecendo cada alimento e você, automaticamente, conseguirá identificar as comidas preferidas e as que estão sendo rejeitadas.

Quanto ao uso de temperos, o bebê pode, sim, consumir ervas aromáticas e especiarias (com exceção de TODAS as que sejam picantes, como pimentas, páprica picante e curry, sempre considerando as de melhor qualidade possível de serem oferecidas, além de alho e cebola refogados. Isso porque tudo entra no conceito de comida de verdade e possuem inúmeros benefícios para a saúde. Pode usar à vontade.

Um porém a ser considerado é o uso do sal: a comida da família toda deve ser temperada somente após a porção do bebê ter sido separada. Ao contrário das ervas, o uso de sal não é obrigatório. Ao contrário: ele deve ser cautelosamente usado.

Os bebês podem adquirir todo o sódio de que precisam dos alimentos in natura e, por isso, se os papais optarem por temperar a comidinha do bebê com sal, ele deverá ser utilizado o mínimo possível – e, o livro “Comida de Bebê” passa as receitas com as quantidades de sal para cada uma. Use com cautela.

Você já ouviu falar do método BLW?

Para quem nunca ouviu falar, o método BLW (baby-ledweaning, ou “desmame guiado pelo bebê”, em português) consiste em que o bebê se alimente sozinho, com as mãos, para estimular o seu gosto pela comida saudável. Assim como em qualquer introdução alimentar, o método também é recomendado a partir dos 6 meses. Contudo, vale lembrar que um dos maiores problemas deste método, é o fato de que a criança pode se engasgar, pois ainda não tem o controle do movimento de pinça e nem da quantidade que cabe em sua boquinha.

Segundo especialistas, o método é seguro, uma vez que a criança consegue por instinto e reflexo se ajudar sozinha. Desde que respeitadas as regras que tangem o sistema, tudo parece correr bem.

Contudo, misturando o BLW com a prática de ofertar “pê-efinho” em textura de papinha, como estávamos falando ao longo da matéria, as receitas precisarão ser adaptadas. Ou seja: em vez de oferecer arroz com feijão, os pais deverão preparar um bolinho de arroz com feijão, já que a ideia é que o bebê tenha autonomia para se alimentar sozinho e com as mãos.

Assim, a gente concorda que facilitar o dia a dia das mães, pais e cuidadores de forma geral, é essencial na correria dos dias atuais. O método criado pela USP e pela Rita Lobo, em parceria, contempla até outros métodos de introdução alimentar que são conhecidos mundialmente, como o BLW.

O importante é que a escolha dos alimentos seja sempre baseada no que for comida de verdade e que o preparo seja um só, para todos os membros da família.

E aí, conta pra gente: você está passando por esta fase com o seu bebê e tem alguma dica? Conhece algum outro método que está funcionando para você? Compartilhe esta matéria com outras mães e outros pais, para disseminar o conhecimento.

Além disso, a gente ficaria feliz se por aqui surgisse uma rede de apoio que pudesse suprir dicas: de mãe pra mãe ou pai pra pai. Conte conosco.

Texto: Julia De Luca